CHUVAS, CAOS E OMISSÃO: ATÉ QUANDO?
Por Redação NL – Notícia Livre
Quando as chuvas fortes atingem cidades como Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda, o que se vê não é apenas um evento climático, é o colapso de um sistema que falha em proteger sua população. Casas invadidas pela água, famílias desalojadas, perdas irreparáveis. E, mais uma vez, a pergunta que fica: de quem é a responsabilidade?
A resposta é incômoda, mas necessária: de todos.
O problema das enchentes e deslizamentos na Região Metropolitana do Recife não pode mais ser tratado como uma questão isolada de gestão municipal. Ele exige articulação real entre o Governo Federal, o Governo do Estado, as prefeituras, a Associação Municipalista de Pernambuco – AMUPE e o Ministério Público.
O Governo Federal precisa assumir seu papel no financiamento e na coordenação de grandes obras estruturantes, além de fortalecer políticas habitacionais que retirem famílias das áreas de risco. O Estado, por sua vez, deve liderar estratégias integradas de prevenção, monitoramento e resposta, indo além das ações emergenciais.
As prefeituras, que estão na linha de frente, têm o dever de planejar o uso do solo com responsabilidade, investir em drenagem urbana e garantir que o crescimento das cidades não continue empurrando os mais pobres para as áreas mais vulneráveis.
A AMUPE pode e deve atuar como ponte entre os municípios, promovendo cooperação técnica e pressionando por soluções conjuntas. Já o Ministério Público tem um papel fundamental na fiscalização, cobrando planos efetivos, acompanhando sua execução e responsabilizando gestores quando necessário.
O que não dá mais é para cada ente agir isoladamente, ou pior, transferir responsabilidades enquanto a população sofre. O cenário atual não é fruto apenas da chuva, mas da ausência de uma ação coletiva, coordenada e contínua.
A população não suporta mais promessas, principalmente após cada tragédia anunciada ou quando se aproximam as eleições. O que se precisa é de compromisso real, integração entre os poderes e prioridade política.
Porque enquanto o problema for tratado como de “alguém”, ele continuará sendo de todos, especialmente daqueles que mais sofrem.


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