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A sobrevivência das fábulas no século 21 e a força simbólica de A revolução das panelas, de Natanael Lima Jr.

Por Redação NL – Notícia Livre

Em um mundo dominado por telas, inteligência artificial, vídeos curtos, algoritmos e consumo acelerado de informação, a pergunta parece inevitável: como as fábulas, esse gênero literário criado há milhares de anos, ainda conseguem sobreviver — e encantar? A resposta, no entanto, é simples e surpreendente: as fábulas não apenas sobrevivem, como ganham novo fôlego no século 21.

Enquanto vivemos uma era marcada pela tecnologia e pela hiperconectividade, surge uma necessidade silenciosa, porém crescente: a reconexão com narrativas que trazem sentido, ética, reflexão e imaginação. É exatamente nesse ponto que as fábulas encontram sua força renovada e inspiradora.

Desde Esopo (620 a.C – 564 a.C), Fedro (428 a.C – 347 a.C), La Fontaine (1621 – 1695), Monteiro Lobato (1882 – 1948), e mais recente, George Orwell (1903 – 1950), as fábulas ocuparam um papel fundamental na formação cultural e moral de gerações. São narrativas curtas, simbólicas, normalmente protagonizadas por animais, objetos e elementos da natureza que ganham vida para transmitir uma mensagem universal.

Assim, mesmo na era dos aplicativos e da IA, as fábulas seguem sendo ferramentas poderosíssimas na educação, na literatura e na formação de leitores.

Fábulas no século 21: um renascimento silencioso

O século 21 não conseguiu extinguir as fábulas – ao contrário, ampliou seu alcance. Hoje elas estão presentes: em vídeos animados no You Tube; em curtas no Tik Took e no Instagram; em podcasts infantis; em livros ilustrados impressos e digitais; em projetos pedagógicos de escolas públicas e privadas; em ações sociais que usam narrativa para fortalecer e ampliar vínculos.

Além disso, vivemos um momento globalizado de incertezas sociais, políticas e ambientais. Em períodos assim, histórias simbólicas que falam sobre liderança, diversidade, inclusão, cooperação e resistência tornam-se ainda mais necessárias.

A revolução das panelas: uma fábula brasileira para o nosso tempo

É nesse contexto que surge “A revolução das panelas”, de Natanael Lima Jr. – uma obra que dialoga com a tradição das grandes fábulas, mas respira a contemporaneidade com vigor.

A fábula parte de um gesto narrativo ousado: transformar simples panelas em personagens vivos, cada uma carregando personalidades, sonhos, medos e desejos de liberdade. No Panelário, a cozinha fictícia de Panerópolis, Natanael cria: uma sociedade organizada; líderes opressores, como o temido Paneloide; personagens corajosos, como Panelaço, a panela de aço e Panemínio, a panela de alumínio, que inspiram justiça, coragem e união; cenas criativas que misturam humor, tensão, ensinamento e poesia.

A narrativa, embora leve e acessível ao público infantojuvenil, tem camadas profundas que dialogam com questões sociais universais: o abuso do poder, a importância da união, o sonho por liberdade, a diversidade, a inclusão e o papel do coletivo nas transformações sociais.

Assim como George Orwell utilizou os animais da granja para falar sobre as distorções políticas em A revolução dos bichos, Natanael Lima Jr. usa as panelas para abordar temas atuais com sensibilidade, criatividade e crítica social.

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